terça-feira


Veja como surgiram algumas das denominações de municípios paranaenses

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Muitas levam nomes de santos e personalidades, outras são influenciadas por rios ou por fenômenos naturais marcantes como o caso de Ventania, que reporta a um episódio ocorrido em 1870. Algumas das denominações têm diversas explicações, nem sempre consensuais, mas todas despertam a curiosidade de quem procura saber mais sobre a história do estado . 

Boa parte dos nomes das cidades paranaenses está ligada à questão religiosa. Por ser um país de tradição católica, o Brasil conta com mais de 2,5 mil cidades que homenageiam santos em seus nomes, segundo o Instituto Brasi­­leiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Paraná, não é diferente, tanto que quase 40 cidades le­­vam nomes de santos e santas. Entre os mais citados estão São João (que batiza as cidades de São João, São João do Caiuá, São João do Ivaí e São João do Triunfo) e Santo Antônio (lembrado em Santo Antônio da Platina, Santo Antônio do Caiuá, Santo Antônio do Paraíso e Santo Antônio do Sudoeste).

“Até o período da República, as cidades geralmente nasciam em torno de uma capela. O indivíduo recebia terra do estado e dedicava uma parte dessa propriedade para o santo de sua devoção, construindo uma capela e inclusive registrando-a em cartório. Muitas vilas e cidades surgiram desse processo”, explica a historiadora Lóide Caetano, do Centro Universitário de Ma­­rin­­gá (Cesumar). A influência católica também gerou outros nomes como Missal, localidade que teve sua colonização orientada pelos bispos das mitras diocesanas de Palmas e Toledo. A denominação da cidade foi inspirada pelos católicos, baseados no livro em que o sacerdote se orienta para o ofício religioso da Santa Missa.

Um dos expedientes mais comuns ao denominar os municípios é homenagear personalidades. Políticos, militares e profissionais liberais estão entre os que mais emprestaram seus nomes para as cidades paranaenses. Alguns, inclusive, tiveram seus nomes adaptados. É o caso de Clevelândia, no Sudoeste do estado, que faz menção ao ex-presidente dos Estados Unidos Grover Cleveland. O “presente” foi dado por uma questão diplomática. No fim do século 19, a Argentina reivindicou a Região Oeste do Paraná e de Santa Catarina. O imbróglio só foi resolvido após o arbitramento de Cleveland em favor do Brasil. Outro homenageado foi o ex-governador do Paraná Ney Braga (mandato entre 1961 e 1965), que teve seu nome invertido para batizar Braganey, na Região Oeste. Há também os municípios que levam nomes de quem ajudou a colonizar suas regiões. É o caso de Xam­­brê, no Noroeste, que homenageia o francês dr. Chambert, engenheiro da Companhia Byington.

A homenagem vale até pra quem não teve participação na história do município. Rolândia, no Norte do estado, por exemplo, era chamada inicialmente de Colônia Roland, uma homenagem ao guerreiro medieval Roland, um dos Doze Pares da França e sobrinho do imperador Carlos Magno. Assim como em Rolândia, cerca de 30 cidades alemãs têm o monumento do guerreiro. Na falta de personalidades, sobrava para os parentes. Pran­­chita, que dá nome à cidade do Sudoeste, era filha do paraguaio João Romero Ferrera, fundador do povoado em 1902. Já o pai de Anahy, cidade no Oeste, era gerente da Companhia Brasileira de Imigração e Colonização. Durante o desbravamento, nas décadas de 1950 e 1960, a empresa povoadora deu dois lotes urbanos à jovem, reconhecendo a cessão do nome para a localidade.

Não são raros os casos em que recorrer à “mãe natureza” foi a solução encontrada para batizar uma localidade. Elementos geográficos, fenômenos naturais e animais se tornaram identidades de várias cidades paranaenses. Muitas levam o nome de rios e ribeirões, como Ampére, Pato Branco e Ariranha do Ivaí. Em Uniflor, a nomenclatura foi dada à cidade por funcionários da Companhia de Terras Norte do Paraná, que, ao fazerem a demarcação da área a ser colonizada, se depararam com uma única flor, às margens de um rio. Já o município de Ventania leva o nome de uma fazenda. A denominação aconteceu em função de um devastador tufão, que varreu a região em meados de 1870.
Outra forte influência para a escolha dos nomes foi a cultura indígena. É o caso da capital Curitiba (derivado do tupi Ku’ri, que significa pinheiro; e tüba, que quer dizer muito) e Guarapuava (que em guarani significa “lobo guará arisco”). Já Bituruna leva o nome da tribo que habitava o local.

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